A exposição “Rosana Paulino: A Costura da Memória” está disponível
no Museu de Arte do Rio desde o dia 13 de abril e fará parte do acervo até 25
de agosto. Sucesso na Pinacoteca, em São Paulo, a maior mostra da artista já
realizada no Brasil possui 140 obras, incluindo esculturas, instalações,
gravuras, desenhos e outros suportes produzidos ao longo dos seus 25 anos de
carreira. Assinada por Valéria Piccoli e Pedro Nery, curadores do museu
paulistano, a mostra evidencia a busca da artista no enfrentamento com questões
sociais, destacando o lugar da mulher negra na sociedade brasileira.
Rosana Paulino surgiu no cenário artístico nos anos 1990. Os
trabalhos selecionados, realizados entre 1993 e 2018, mostram que sua produção
aborda situações que envolvem o racismo e os estigmas deixados pela escravidão
que circundam a condição da mulher negra na sociedade brasileira, bem como os
diversos tipos de violência sofridos por essa parcela da população.
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| Parede da Memória |
Um dos destaques da mostra é a “Parede da Memória”.
Realizada quando a artista ainda era estudante, a instalação é composta por 11
fotografias da família Paulino que se repetem ao longo do painel, formando um
conjunto de 1.500 peças. As fotos são distribuídas em formatos de “patuás” (pequenas
peças usadas como amuletos de proteção por religiões de matriz africana).
A exposição também conta com uma série lúdica de desenhos
feitos por Rosana, na qual a artista revela sua fascinação pela ciência e, em
especial, pela ideia da vida em eterna transformação. Os ciclos da vida de um
inseto são feitos e comparados com as mutações no corpo feminino, por exemplo.
A instalação “Tecelãs” (2003), composta de cerca de 100 peças em faiança (louça
de barro), terracota, algodão e linha, entrega a transformação da vida
explorada nos desenhos.
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| Tecelãs |
Em alguns de seus trabalhos a relação de ciência e arte é
destacada, como em “Assentamento” (2013). A série retrata gravuras em tamanho
real de uma escrava feitas por Augusto Sthal para a expedição Thayer, comandada
pelo cientista Louis Agassiz, que tinha como objetivo mostrar a superioridade
da raça branca às demais. Para Paulino, “a figura que deveria ser uma
representação da degeneração racial a que o país estava submetido, segundo as
teorias racistas da época, passa a ser a figura de fundação de um país, da
cultura brasileira. Essa inversão me interessa”.
Fontes: Museu de Arte do Rio e Rosana Paulino

